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MUSICA
MîSIA APRESENTA "Drama Box" NO TRIANON

250 lugares em tarífa reduzida

Para o concerto de Mísia no Trianon dias 20 e 21 de Fevereiro de 2006, 250 lugares em tarífa reduzida estão à venda no Espaço Jovem da Associação Cap Magellan - 17 rue de Turbigo 75002 Paris
Para mais informações : 01 42 77 46 89 ou capmag@capmagellan.org - aqui

.: DRAMA BOX

Precursor do Novo Fado, Mísia volta com um álbum inteiramente produzido por ela, Drama Box, no qual participam nomeadamente cinco grandes actrices (Carmen Maura, Maria de Medeiros, Ute Lemper, Fanny Ardant et Miranda Richardso). Mísia tornou-se o ícone urbano do fado. Mas desta vez, não se limitou a Portugal. Este novo opus é como uma caixa pandora, é a mala preciosa de amores tumultuosos. O fado está presente, evidentemente, mas saído dos seus clichés habituais. Pela primeira vez, as reminiscenças do universo da sua mãe espanhola emergem, com boléros e tangos intemporais. As canções de Mísia revelam uma mulher determinada, ao mesmo tempo fiel e livre, sensível e audaz. Um universo, que de certa maneira é ultra feminino. Um álbum a não perder... a ouvir num hotel ou noutro lugar...


Texto de António Pinto Ribeiro sobre Drama Box de
Mísia
"Estas canções pertencem à uma religião sem Deus.""António Pinto Ribeiro escritor"

Drama Box, são tangos, boléros, fados; são palavras e músicas do Sul, todo florescendo de nervos e vermelho, cantados aqui por Mísia. Como um atleta de emoções, assim como Kleist dizia para falar dos grandes actores, Mísia faz-nos percorrer em Drama Box o ciclo irresistível da paixão: « primeiro é necessário saber sofrer, e seguidamente gostar, e seguidamente partir e por último ir sem pensamento »[1]. O amor assim como a tristeza não são próprio à um lugar, nem à uma época, e, no entanto, em Drama Box transportamo-nos para uma cidade, feita de Noite e de Sempre. Pode bem ser Buenos Aires, ou Lisboa, ou Paris, ou Barcelona, mas terá poètes febris de paixão e músicos possuídos.
E há indubitavelmente no meio de esta cidade onde somos levados pela voz de Mísia um espectáculo raro onde embarcamos, o único edifício consentido pela paixão: o poço da morte, divertimento popular e arriscado. Porque ouvido Mísia cantar desta maneira, tanto ao modo de Porto que o modo de Portugal, atraímo-nos por esta experiência única, irresistível e veloz, e da descida neste poço que, actualmente, doravante interno à cada um de nós, é um turbilhão de emoções, de imagens, de saudades, de lembranças, de gestos e palavras antigos, e, assim, à velocidade vertiginosa que estas canções instalam desafiamos o equilíbrio dos dias, o conforto das certezas, voltamos à uma animalidade às vezes desesperada, às vezes langorosa. Mas após ter ouvido Drama Box sabemos que não há outra saída digna para o desespero e que está apenas amantes que perseveram para além da perda que teremos merecido bem da vida. Conhece-se a importância da imagem no trabalho de Mísia. Trata-se de uma atitude singular de reconhecimento para quem ouve e para que vê, à quem ela oferece-se sobre o palco com a delicadeza de um presente oriental. Mas antes da oferta há a voz e esta maneira de cantar a lembrança que altera-o em dor física basicamente de nós e por toda a parte ao redor, e que ilumina dentro do corpo os sentimentos perdidos ou golpeados de ilusão para trazer-o à vida. Estas canções pertencem à uma religião sem Deus, feita de ritos urbanos, excessivos e exuberantes, de encontros fugazes ao canto das ruas, "quando agita-se em nós um fogo que incubou"[2], aos segredos e a pertença únicos. Não é necessário temer dizê-lo: é no excesso da paixão como na desmesura trazida pela perda de que temos de maior em cada um altera-se em Deus ou nada. Mísia canta e faz-nos sentir toda a intensidade na lembrança da flor que foi tocada, na porta que passou, como o peito queimou o primeiro aperto, a saudade do primeiro rizo, e canta qualquer coisa sem estar a tornar nebulosas as palavras. Em dicção pura, uma maneira de copiar as sílabas: mais dolorosa sobre que contêm de mais extremo, dilatando-se ao mesmo tempo algumas outras, aquelas que prometiam mais amor. É verdadeiro que não há nome de mulher mais comum que o de Maria como no tango "sou eu Maria" [3], o que quer dizer que este sofrimento da perda é universal, e, no entanto, cada ser amado sente que a sua perda é única e mais excessiva e mais injusta; então a grandeza desta obra musical que é Drama Box, dos seus arranjos, palavras, mas principalmente da interpretação de Mísia, é fazer que sentíamo-nos igualmente únicos na grandeza da paixão que na da perda. E isto é muito raro, sendo possível unicamente quando se é uma grande cantora.
.: NA WEB
Mísia : site oficial - aqui
Mísia em entrevista para o CAPMag : aqui



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